quarta-feira, 21 de julho de 2010

A ESCOLA E O MUNDO DE PAZ


É sempre com emoção que participo de momentos representativos da vida da escola. Fui convidada a presenciar uma atividade extracurricular, no final do ano letivo, uma representação teatral, de uma renomada escola. Ela contou com a presença de pais, de familiares e representantes da comunidade. Foi uma atividade que agradou pela organização, pela esmerada apresentação e pelas significativas mensagens passadas. Deixou transparecer a escola que representa. Houve um congraçamento enaltecedor das relações humanas, com saldo positivo para a escola. Um envolvimento caloroso entre professores e alunos, entre escola e comunidade, em cumprimentos efusivos.
Os alunos representaram no palco, em seis atos, não muito longos, com trajes típicos, cuidadosamente confeccionados, algumas das nacionalidades que despontam no cenário político mundial, em termos de riqueza e em termos de pobreza. Ao lado da beleza do espetáculo, a representação passou imagens significativas em valores humanos, uma auspiciosa sugestão de integração entre os povos, um ensinamento no "formar a roda", no sentido da solidariedade.
Presenciamos a escola exercendo, criativamente, de modo prazeroso, a função social de educar para a paz, para o amor. A escola abrangendo a visão pluralista da educação e da vida, preparando o aluno para entender o momento atual de guerra e de terrorismo, para entender o lado humano que deve nortear o conceito de globalização. É como dizia o educador Antonio Severino: “O professor deve ser fundamentalmente particular e fundamentalmente universal. Pensar globalmente, agir localmente”.
O mundo de amanhã pertence aos jovens. Se quisermos, para eles, um mundo de paz, temos que levá-los a refletir sobre as relações de poder. O paradigma do mercado é a polpuda conta bancária e não a dignidade pessoal. A concentração de renda gira forte entre os poderosos e não permite a entrada dos excluídos. É, pois, a mudança de valores, e não mecanismos econômicos, que vai permitir a reversão do sistema.
A escola está passando da hora de parar de reproduzir informação e começar a formar, a trabalhar caráter, afetividade, preconceito, diferenças, desníveis sociais, apontando para uma convivência pacífica.
Escola é um espaço educacional. Deve saber oportunizar os momentos da educação. Ela não molda, mas interfere na formação da personalidade. Considerei a escolha, da representação teatral, feliz, porque abre a mente e o coração para o acolhimento universal, para a compreensão das opulências e das carências que se contradizem na vida dos povos.
A pobreza, a miséria, que são os pivôs da exclusão social, geram revolta e violência. A violência vem sendo tratada, nos meios educacionais, como um item prioritário, tanto assim que a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Campinas, criou, para o corrente ano, um curso, inédito no País, de pós-graduação de prevenção à violência. O curso será ministrado por especialistas contratados especificamente para ele, terá duração de um ano e será voltado para profissionais de áreas que lidam, diretamente, com vítimas, autores ou situação de violência.
A escola, preparando-se para educar na direção das diferenças sociais, estará dando acentuada contribuição ao combate da violência. Para se ter uma idéia das discrepâncias sociais, vejamos o que nos expõe o Banco Mundial, quando fala que dois terços da população mundial vivem abaixo da linha da pobreza: “Habitam o nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4 bilhões padecem: 2,8 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem de renda mensal equivalente a mais de US$ 60. E 1 bilhão e 200 milhões vivem abaixo da linha da miséria, porque possuem renda mensal inferior ao equivalente a US$ 30”.
Os alunos, nessa atividade extracurricular, ao viver no palco sentimentos  de  patriotismo,  peculiaridades cultu-
rais, sociais e econômicas dos diferentes povos, tornam-se mais sensíveis à questão da desigualdade. O interessante é que participaram da representação também atores mirins, correspondentes à faixa etária do período escolar referente à educação infantil, fase da vida em que se deve dar ênfase à formação da personalidade.
Hoje, nós sabemos que a pré-escola é a detentora do troféu das transformações sociais. Quando dizemos que as crianças são o futuro do País, não estamos nos valendo de expressão feita, mas de um profundo sentido real. O provérbio popular, que diz: “É de menino que se torce o pepino”, é rico em sabedoria. “Nós somos o que a criança que fomos fez de nós”. Machado de Assis dizia: “O menino é o pai do homem”.
Podemos perceber o quanto o adulto está na criança, o quanto sai da criança, o quanto é filho da criança. Só a educação das primeiras letras é capaz de modificar o quadro reinante, quadro de sociedades profundamente marcadas por desigualdades de acesso aos bens essenciais.
Para se chegar à mudança social, a escola deve valer-se de projetos alternativos, que conscientizem, estimulem e restaurem os valores humanos, os compromissos morais e éticos. Parabenizo a escola pela estratégia montada a favor da formação do educando, pela idealização da mensagem de paz, pelo despertar de consciências.
* Supervisora de ensino aposentada.      
(*Publicado em janeiro/2002)

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A Oração da Família


Quando a família se entende,
A própria vida é uma oração,
É bênção de Deus que se estende,
Faz ver o sagrado na união.


As compreensões dos cotidianos,
O prazer da troca contínua,
Vão se avolumando pelos anos,
Construindo uma família assídua.


Mãos dadas são força na existência,
Confiança no dia do amanhã,
São os orvalhos da resistência.


A família reunida, cristã,
É chama que o amor irradia,
Crocante sabor de avelã. 


terça-feira, 20 de julho de 2010

Abandono Cruel



Tribo humana, ouça meu grito de dor,
Vivo nas trevas, sem flor no jardim,
Formado no ventre do desamor,


Jogado eu fui ao vento do canto ruim,
E, na longa noite escura, me cobri,
E, na vida sem rumo, me conduzi.


Estrada sem destino, rua alagada,
Medo, suores, sulcos na alma abri,
No sol distante, na luz apagada,


Clemência não vinha e eu esmoreci,
Sou ameba encolhida pelo pavor,
Sem brilho nos olhos, sem nenhuma cor!


Acuda-me, Senhor do Infinito,
Deixe-me voltar, viver entre as flores,
Ouvir, novamente, um canto bonito,


Retornar-me a uma vida de amores.
Meus dias são soturnos, de pobres ágios,
Só sinto o riso que vem de outros lábios.


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A ESCOLA DA SOLIDARIEDADE


Boa escola é aquela que não se preocupa, exclusivamente, em preparar o aluno para a faculdade, mas em formá-lo para enfrentar as situações de vida. Utiliza-se do método sócio-construtivista, faz do aluno o agente da aprendizagem e coloca o professor como mediador entre o aluno e o conhecimento. Estabelece as condições cognitivas necessárias à aquisição do conhecimento e trabalha atitudes e posturas éticas, humanas, objetivando a formação do cidadão crítico, responsável, participativo.
Esta escola vai além da transmissão do conhecimento, abrange a formação integral do aluno, inserindo-o no contexto social em que vive. É uma escola conectada com a comunidade, com o mundo, reduzindo a distância entre o que fala e o que faz, fazendo a diferença entre o texto e o contexto, conforme desejava o educador Paulo Freire, quando dizia: “Não sou um ser no mundo, sou um ser com o mundo”.
A situação caótica da sociedade está encaminhando a escola para formar o aluno em direção ao humanismo, ao altruísmo, à prática do voluntariado; um cidadão aberto ao convívio social. Alunos compromissados com o momento em que vive, com o termômetro social, capazes de ver e refletir sobre os males que afligem a sociedade e a  não fugir à sua colaboração.
A boa escola ultrapassa o assistencialismo, debate as causas sociais, forma consciência, faz perceber as conexões do mundo globalizado. É uma escola perspicaz, inteligente, que retira dos problemas sociais estímulos para a curiosidade intelectual. Uma escola que se prepara para as ações voluntárias, recebe e fornece, e que vincula a transmissão do patrimônio cultural à formação do caráter, da alma. Forma fileiras e encaminha a criança para a paz, para a cooperação e não para a competição. O mundo competitivo está gerando deformação, individualismo doentio, de conseqüências lastimáveis.
O programa de voluntariado da escola não deve ser encarado como simples caridade. Quando o voluntariado vem de fora para dentro, além dos aspectos de ajuda, de cooperação, traz, em si, também o objetivo de enriquecer as aulas, de descortinar para o aluno variadas experiências, inovando e aperfeiçoando o conhecimento. O voluntariado quebra paradigmas da sociedade capitalista, que vê na remuneração, no lucro, as únicas razões de luta. No trabalho voluntário, não há busca de interesses pessoais, ele estimula a articulação entre sociedade e compromisso social. Da parte dos alunos, a solidariedade pode ser exercida, criando-se projetos voluntários para asilos, creches, orfanatos, educandários.
Há que se buscar alternativas, caminhos que alcancem os desníveis sociais, que minorem a fome, o desemprego, a ignorância alfabética. Uma pesquisa sobre trabalho voluntário na escola, pela comunidade, feita com 886 diretores, entre dezembro de 2000 e janeiro de 2001, pela empresa Enfoque, Pesquisa & Consultoria e Marketing, mostrou o seguinte resultado: 75% dos diretores afirmam que o trabalho voluntário na escola estimulou mais os alunos; para 40%, houve um desenvolvimento maior com atividades extraclasses; para 13%, houve melhora na disciplina; 11% acham que a evasão escolar diminuiu e para 10%, a presença do trabalho voluntário proporcionou a diminuição dos índices de repetência. Nenhum diretor apontou aspectos negativos, os marcadores foram todos positivos.
O triunfo da indiferença que impera na sociedade precisa ser trabalhado na escola, em casa, por todos. Impõe-se a recuperação do bom-senso no trato das relações humanas, da responsabilidade dos atos sociais, que parecem ter-se evaporados.
A crueldade não é fruto do acaso. As causas da violência são sempre citadas, mas pouco combatidas na esfera política. Resta valer-nos da pedagogia, mexer na estrutura da alma, exortando a ajuda mútua, a afetividade entre as pessoas. Sabemos que essa não é a função primeira da escola, mas ela não pode ser descuidada, a ponto de a função primeira ser invalidada pela outra. É um processo de resultado a médio e a longo prazo, mas que se faz necessário dar, com urgência, o primeiro passo.
A preocupação de educar para o altruísmo levou a ONG “Faça Parte” lançar, na Assembléia Legislativa de São Paulo, em 15 de março p. passado, o Projeto “Jovem Voluntário, Escola Solidária”. Vários outros projetos vêm sendo pensados e postos em prática, com o fim de assistir às crianças, aos jovens, educar-lhes para a cooperação, disseminando fraternidade. O grande propósito é combater a violência, difundir um mundo de paz.
A escola, hoje, prima por dupla competência: do conhecimento, na formação cognitiva, onde tem o seu grande papel, e da formação comportamental. Escola para formar cidadãos, da conquista do aluno não só pelo conhecimento, mas, também, pelo lado afetivo, incluindo conceitos de ética e de cidadania. Na função de transformadora social, a escola não pode fechar os olhos para as turbulências da vida atual. O professor, por sua vez, deve se conscientizar da grande força que possui diante do aluno e utilizá-la na consecução dos objetivos gerais e específicos da educação. É ele, o professor, a pessoa mais credenciada para desenvolver ações que busquem suportes à escalada do mal que toma conta do cotidiano. Ainda não se descobriu nada melhor para substituir o professor na missão de ensinar e de educar. Nenhuma máquina de dar aulas, nem a Internet, conseguem eliminar a presença do professor.
Mudar o rumo da educação impõe-se cada vez mais. Precisamos unir progressos científicos a progressos de alma. A civilização quanto mais progride, mais parece atingir, negativamente, a estrutura humana. Nunca tivemos guerras em proporções tão assombrosas, tão ferozes. Inventam-se, dominam-se máquinas, que, ao invés de contribuírem, aniquilam a humanidade.
O que resolve o avanço da ciência, se ele é usado na destruição do próprio ser humano?
* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2002)



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segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Árvore

A natureza tem tanta beleza tanta,
Tanto encanto que até espanta!
O deslumbre do nascer de uma planta,
Uma sementinha jogada, às vezes, por acaso,
A seu tempo, a plantinha surge, sem atraso!


Sou da natureza uma contemplativa,
Vejo o Criador em obra magnífica,
A árvore valorizando a paisagem,
Colorindo de verde vastas paragens,
Com suas flores, despertando doces miragens!


Ela dá abrigo e sombra ao viajante,
É oxigênio, ciência para o estudante,
É vida para o homem, passarela sem espinho,
Espalha perfume, acolhe o passarinho,
Com ela, montamos o presépio de Jesus menino!


A árvore é fonte de vida,
Simboliza a origem e o sentido das obras divinas,
Simboliza o crescer e o multiplicar,
O alimento, o agasalho, a sustentação,
É a imagem da purificação.


Sua raiz, sua seiva, nutrem o tronco,
Que nos galhos e nas folhas tem seu encontro,
Se desenvolve apontando para o horizonte,
Nas ramificações ergue sua ponte,
Se prolonga pela eternidade, apoiada no seu ontem.



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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Abrir-se para a Vida



Abra a sua janela,
 Deixe o sol entrar,
 Não viva da luz de vela,
 Se aqueça na luz solar.


Abra a sua janela,
Olhe o verde, a natureza,
Abandone a triste cela,
A água segue a correnteza.


Abra a sua janela,
Ouça o canto das aves,
A imaginação é bela,
Viaje por vastos mares.


Abra a sua janela,
Sinta o aroma das rosas,
Não só da flor amarela,
Também, das frutas cheirosas.


Feche um instante a janela,
Reflita o seu interior,
Após, olhe a favela,
Medite sobre o exterior.


Abra a sua janela,
Não se enrole como ostra,
Dê as mãos na passarela,
Bênção vem, uma após outra.


Abrindo a sua janela,
Verá o mundo a sua volta,
A vida sem paz singela,
O universo, sem escolta!

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quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Quantas anda o Vestibular?


O vestibular tem sido questionado ao longo de sua existência. Já passou por várias modificações e, na presente data, a Fuvest – o maior vestibular do País – acaba com as questões divididas por disciplina. Quer medir os conhecimentos gerais do aluno.
O vestibular vem se aproximando do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),  uma prova nacional, gratuita, anual, interdisciplinar, realizada pelo Ministério da Educação, aos alunos do 3.º ano, em que cobra habilidades e competências e não conteúdo.
Além do fator psicológico que envolve o aluno, deixando-o ansioso, tendo que resolver seu futuro por uma única prova, o vestibular é focado no conhecimento acumulado, sem chances de avaliar as capacidades e o potencial do aluno. Ainda, pelo vestibular, o estudante tem que definir sua carreira, numa escolha, muitas vezes, feita sem convicção, pela inexperiência, pela falta de maturidade em virtude da pouca idade. O estudante abraça um caminho que posteriormente venha desistir.
Algumas universidades já oferecem alternativa ao vestibular. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, foi a pioneira em aplicar um vestibular seriado, com avaliações feitas ao longo dos três anos do ensino médio. A própria Fuvest admite a possibilidade de criar vestibular seriado, onde o aluno escolheria entre as três avaliações feitas durante o ensino médio e o vestibular tradicional.
Recentemente, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) ponderou ser este ano de 2006 o último a realizar vestibular nos moldes habituais. Quer uma outra forma de seleção de seus alunos. O pensamento corrente é usar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mudanças na estrutura do curso de graduação estão sendo estudadas pela universidade, apresentadas em um novo projeto. Haverá a criação de um ciclo básico de três anos, igual para todos os alunos, independentemente de carreira pretendida. O aluno terá liberdade para escolher as disciplinas de todas as áreas, permitindo uma abertura maior entre elas.
Dessa maneira, o aluno não ficará limitado às suas áreas, desconhecendo as demais. Os cursos ficarão mais longos. Após o ciclo básico, o aluno escolherá o seu curso, que será de mais três anos. Contudo, será admitido ao curso pretendido o aluno que tiver acumulado uma boa nota ao longo do ciclo básico. Os alunos, que não obtiveram notas suficientes para começar os cursos específicos, terão um diploma de bacharelado pelos três anos cursados.
Esse modelo de universidade já havia sido proposto pelo grande educador Anísio Teixeira, para a Universidade de Brasília (UnB), que por razões políticas não fora aceito. Nos EUA e em países da Europa, o sistema é parecido. A Universidade Federal do ABC, em Santo André, recentemente inaugurada, aplica sistema semelhante.
Esse modelo de universidade ganhou os meios educacionais. Foi bem recebido, bastante discutido. O ponto central recai sobre o projeto pedagógico dos três anos do ciclo básico. Deve ser bem equilibrado, conectado com as diversas áreas, apresentar um currículo articulado, interligado, sendo, ao mesmo tempo, específico e generalista.
A escolha das disciplinas, sua dosagem, abrangência e especificidade, é tida como chave para o sucesso desse período de ciclo básico, encaminhando o aluno, com base e visão  suficiente, para uma acertada escolha da profissão.
Supervisora de ensino aposentada.  
(Publicado em outubro/2006)
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