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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A ESCOLA EXPANDINDO SEU OLHAR EXTRAMURO


Lição de casa, o terror da meninada! Difícil achar uma criança que goste de fazer os deveres de casa. Querem mais é brincar, ver TV, jogar com os amiguinhos, menos fazer as tarefas escolares.
Lições de casa bem feitas contribuem para um bom aprendizado. Por essa razão, a escola passa orientação aos pais, a fim de que criem condições a que as tarefas sejam cumpridas de modo proveitoso e, de alguma forma, mais prazeroso.
Alguns procedimentos costumam surtir bons efeitos:
– Televisão:
O horário deve ser acertado entre pais e filhos. Estes só poderão assistir-lhe depois de todas as tarefas cumpridas, mas, um fundo musical, ao gosto da criança, ajuda a concentração. Há as que preferem fazer a lição assim que chegam em casa. Outras preferem um tempo para relaxar. O importante é não deixar os trabalhos para depois do jantar.
– Sobrecarga de atividades:
Se a criança chega em casa exausta, sem vontade de fazer nada, talvez esteja sobrecarregada, com muitas atividades extracurriculares, como inglês, natação, judô etc. A criança precisa ter um tempo para ler, brincar com os amigos, passear com o cão, jogar, ou seja, ter brechas na sua agenda para descontrair. Um arranjo deve ser estudado com o professor.
– Presença importante:
Ao fazer as lições de casa, geralmente a criança fica sozinha com suas dificuldades, com suas dúvidas. Os pais ajudam-na a lidar com essa insegurança, passando-lhe a noção de que com um esforço somos capazes de vencer. Não devem esperar até o último momento para ajudar, quando a criança já chorou, já esperneou. Devem solucionar as dúvidas, explicando-as quando solicitados. Devem estimular a criança a exteriorizar suas preocupações. Os pais não devem se iludir com crianças quietas demais. Às vezes, essas crianças que concordam com tudo podem estar apenas demonstrando sua insegurança em relação ao amor da família e devem ter problemas de auto-afirmação.
– Cuidar da auto-estima:
Os pais devem elogiar o esforço mais do que o resultado. Habitue seu filho pensar que ele é capaz. A auto-estima elevada vai proteger a criança nas adversidades futuras. Às vezes, vale mais um bom esforço que uma boa nota.
– Nunca fazer os trabalhos por ela:
Acompanhe o processo de aprendizagem da criança, mas só ela pode percorrê-lo. É ela quem está aprendendo. Mostre interesse por sua vida na escola, tenha conhecimento de suas notas, mas não seja o seu professor. Ajude-a, apenas, quando solicitado. Ensine-a a usar as ferramentas e não fazer as tarefas por ela.
– Motivá-la:
Nessa fase, não adianta apelar para a idéia de um bom emprego, que arrumará no futuro daqui a 20 anos. Deve fazer a criança entender que o estudo é importante porque a inteligência tem que ser cultivada, tem que ser treinada. Que há coisas importantes que só desenvolvemos através do estudo, como a perseverança, a coragem, a confiança, o autoconhecimento.
– Ensinar regras de estudo:
Estudar primeiro o que se tem mais dificuldades e o que gosta menos. Quando o texto tem muitas páginas, sublinhar e tomar notas ajudam a não desviar o pensamento. Ensine a criança a anotar os dias dos testes e a estudar com antecedência. Ensine-a a se conscientizar da necessidade de se organizar, porque o melhor método para se aprender é a persistência, a dedicação.
A  CRIANÇA  NO ADULTO REALIZADO

Uma criança que se sente amada
É uma criança confiante, feliz,
O mundo conquistará animada,
Ostentará uma personalidade sem verniz.

Eleve sua auto-estima,
Não a castigue, ressalte suas qualidades,
Amanhã ela saberá dar a volta por cima,
Saberá desenvolver suas virtualidades.

Deixe-a desabrochar lentamente,
Ensine-a a ver o lado bom das coisas,
Acompanhe seus passos sorridente,
Cultive o humor conjuntamente.

Ajude-a a descobrir seus dons,
A ter noção de seu próprio pendor,
Evitando desajuste de futuras profissões;
Mantenha com ela permanente relação de amor.

A criança respeitada em sua natureza,
Galgando o saber conforme sua competência,
Alcança, em harmonia, a soberba grandeza,
Guardada nas artes, na ciência.
* Supervisora de ensino aposentada      
(Publicado em abril/2005)

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA INCLUSÃO DO DEFICIENTE


Recentemente, publiquei um artigo que revelava o resultado de uma pesquisa internacional, encomendada pelas Olimpíadas Especiais, mostrando resistência à integração de deficientes mentais, um forte apego ao preconceito.
No Brasil, as análises têm sido mais estimuladoras. As conquistas, na área da educação especial, são lentas, mas continuadas. O Censo Escolar 2003, divulgado pelo Ministério da Educação, mostrou um aumento do número de crianças, com necessidades especiais, em classes regulares, nas redes oficiais de ensino. Mostrou um acréscimo de 30,6% da chamada educação inclusiva, em relação ao Censo 2002. De cada 100 estudantes com deficiências, 29 assistem às aulas em classes comuns. Em 1998, avaliou-se pela primeira vez essa inclusão e somente 15% dos alunos com necessidades especiais freqüentavam classes regulares.
O Brasil vem avançando em direção ao direito da escolaridade das crianças deficientes. Para um reforço no cumprimento das normas legais, é importante tomar conhecimento dos seguintes procedimentos:
– A  Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, no seu artigo 4.º, inciso III, definiu como dever do Estado a garantia de atendimento especializado gratuito aos educandos “com necessidades especiais, preferencialmente, na rede regular de ensino”. Assim, segundo a LDB, a inclusão deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. Para tanto, o educador deve receber a capacitação necessária para esse atendimento, lembrando que a política de inclusão exige um professor treinado, capacitado.
– A Lei 7.853, de 1989, obrigou o Estado a apoiar os portadores de deficiência em sua integração social. Leis e decretos definiram normas gerais e critérios básicos para o atendimento às pessoas deficientes. Criou-se, no Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Direitos  da Pessoa Portadora de Deficiência.
– Através do Decreto 3.956, de 2001, foi ratificada a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiências.
– A Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (Parecer 2/01) definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para educação especial e o Parecer 17/01 estendeu essas diretrizes para toda a Educação Básica.
Era preciso que se cumprisse, na prática, o que essas leis determinavam. O Censo Escolar 2003 demonstrou que a aceitação do deficiente, em classes de escolaridade formal do ensino básico, avança favoravelmente. As instituições de ensino vêm, gradativamente, conscientizando-se e propagando a inclusão social, a promoção de acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida. O professores devem trabalhá-las tendo em vista suas potencialidades, na superação de suas dificuldades.
Hoje, já é consenso na educação de que a heterogeneidade, no ambiente escolar, só traz benefícios tanto para os deficientes como para os demais alunos, desde que ela seja acompanhada, assistida, por profissionais competentes e por condições necessárias ao seu bom desenvolvimento.
Uma outra pesquisa mostra que muitas empresas começam a criar programas de inclusão social, projetos que atendam às necessidades dos deficientes. Um estudo inédito da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, divulgou, em outubro p. passado, resultados e apontou que o repasse de um salário mínimo a portadores de deficiência pelo governo, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), cresceu 350% entre 1996 e 2001. O estudo mostrou, ainda, que o número de deficientes no País varia de acordo com escolaridade, idade e renda. O relatório Diversidade – Retratos da Deficiência no Brasil – divulgado em 21/10/2003, considerou o grau de severidade das deficiências e revelou que 14,5% da população brasileira apresentam algum tipo de limitação. Que a metade da população com mais de 60 anos sofre de algum tipo de deficiência.
A média de renda das pessoas com limitações físicas é de R$ 529,00, enquanto a de quem não as tem fica em torno de R$ 628,00. Há, também, diferenças na escolaridade: 27,61% dos deficientes não são alfabetizados e há certa concentração de deficientes no Nordeste, justamente por ser a região mais pobre. A Paraíba lidera no número de deficientes: 18,76% da população.
O estudo feito pelas Fundações Banco do Brasil e Getúlio Vargas inova por apontar possibilidades de inclusão e de aplicação de políticas sociais, vindo de encontro aos anseios dos portadores de deficiência e de suas famílias. Abordando-se reiteradamente a problemática do deficiente, desvenda-se o véu da ignorância, retira o deficiente de seu isolamento, expande-se a humanidade, apontando para uma sociedade mais justa, menos preconceituosa.
* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em outubro/2003)

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A EDUCAÇÃO DO RICO VERSUS A EDUCAÇÃO DO POBRE

A realidade educacional no Brasil é tema inquietante, a ser refletido por toda a sociedade brasileira. Realidade de duas faces: a boa educação para os ricos e a má educação para os pobres. Há décadas, Demerval Saviani, em seus livros, já denunciava a equivocada escola assistencialista, merendeira. São freqüentes e periódicas as citações de especialistas da educação sobre o decadente ensino das classes menos favorecidas.
O objetivo de toda escola deve ser o de tornar o aluno competente. A escola deve lutar, buscar os meios para realizar este objetivo, para dar aos alunos as ferramentas mentais de ação, a fim de que possam enfrentar o mercado de trabalho, hoje tão exigente. Nunca o livro didático foi tão necessário ao professor. A escolha de um bom livro poderá amenizar a situação do ensino público. Um livro que traga ao professor  instruções detalhadas, que propicie experiências abertas, exercícios práticos, onde se possa praticar o construtivismo. A criança precisa freqüentar a boa escola, desde os primeiros anos de alfabetização, porque a aprendizagem é um processo em que uma etapa influi e explica a outra. A construção do conhecimento exige tempo, é preparação sistemática, gradual, encadeada, ligando os diferentes graus de ensino. Não é um simples “depósito bancário”, usando a expressão do educador Paulo Freire. Não adianta avançar etapas, se a aprendizagem não se concretizou. Hoje, temos bem clara a noção de que o importante não é a quantidade do que se ensina ao aluno, mas a qualidade do que ele aprende.
O desinteresse oficial por uma escola pública de qualidade se constitui em mecanismo de reprodução das desigualdades. Concursos de ingresso ao magistério público há, em que Secretarias de Estado observam com rigor a porcentagem de acertos e erros, aprovando os realmente capazes – como o recente concurso, realizado no Rio Grande do Sul, onde 70% dos candidatos foram reprovados, ou o concurso de ingresso na Bahia, em 97/98, que reprovou cerca de 90% dos candidatos. Secretarias há em que, desconsiderando a má formação, rebaixam o nível de conhecimento, aceitam uma porcentagem de acertos inferior ou bem inferior ao que seria a média das questões, facilitando o acesso  para abarcar o maior número de candidatos, mas não garantem, depois, a qualificação necessária ao padrão requerido pela época. Nessa acomodação política, o aluno pobre é o maior prejudicado, pois que tem aula com professores mal preparados, cuja efetividade não foi fruto de competência. O ensino fica, assim, nivelado por baixo.
Em recente publicação do texto: “Duas experiências de ensino estruturado”, Cláudio de Moura Castro, assessor da Divisão de Programas Sociais do Banco Interamericano do Desenvolvimento, faz uma análise sociológica, cultural do Brasil, das últimas décadas e compara-o aos Estados Unidos. Ambos, diz ele, encontram dificuldades em “criar escolas capazes de oferecer um ensino de boa qualidade aos mais pobres e mais vulneráveis... têm escolas péssimas servindo a essa população”. Ambos têm grande desigualdade na distribuição de renda. Sendo que nos Estados Unidos “a maioria esmagadora é imensamente rica, embora tenha muitos bolsões de pobreza, sobretudo, nos centros urbanos”. No Brasil, ao contrário, temos “uma minoria muito rica e uma grande camada de pobreza, incompatível com nossa renda per capita”. O contraste entre Brasil e Estados Unidos está na grande diferença entre população rica e pobre. Se aqui poucos têm boa escola, lá a grande maioria a tem.
Cada povo tem  a educação que o espelha e a nossa pouco nos engrandece.
O magistério é  vocação sublime,  abre caminhos de esperança, de sonhos, de realizações. O professor é pedra angular, a fundamental na construção do ser humano. Batalhar a educação é batalhar a vida no seu grau supremo da promoção humana e social. Ela é essência, ultrapassa a dimensão circundante do Homem, alcança a dimensão cósmica, quando então, entra em comunhão com a obra do Criador e se torna a grande responsável pelo desenvolvimento sustentável do planeta, pela continuidade de nossa mãe-Terra, em sua missão de gerar novas vidas. “O que acontece à terra, acontece aos filhos da terra” – Seattle, chefe das tribos indígenas Duwarnish – Canadá.
Vimos, em seqüência, espalhando sementinhas, que a seu tempo – esperamos – se revertam no nascimento de árvores frondosas. Outras sementes, juntando-se a estas, romper-se-ão em outras árvores, que, no seu conjunto, formarão o cerne, a frente robustecida de combate, com núcleos de influência, semeando permanentemente. Se cada um fizer a sua parte, o grande encontro virá e coroado da salvadora redenção. Completo essas considerações com meus versos “O sono da combalida educação”.

O SONO DA COMBALIDA EDUCAÇÃO

A educação dorme no leito do atraso,
Sono do descaso, da assistência falida,
Da oscilante ideologia do acaso,
Brotando uma atuação didática abolida.

Quantos caminhos perdidos em sua dormência!
Enquanto dorme, o mau ensino perdura,
A criança se embrenha na estrada da falência,
Os pais choram a perda da visão futura!

Educação é luz, terra em maternidade,
Gera o alimento para o corpo e para a alma,
Sacia o sonho, a desigualdade acalma.

Desperte “Consciência”, alce a vontade política,
Faça da sociedade uma análise crítica,
Distribua o saber em social eqüidade.!

* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em maio/2000)


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