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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Amai-vos uns aos outros


Cristo veio ao mundo para nos salvar,
Alertou a humanidade
Do perigo da ferocidade,
A alma branda, menos invejosa,
Encontra o seu reino pela via amorosa.

Justiça, lealdade, amor,
Ficam circunscritos à conveniência,
O interesse é sua base na sociedade,
A quem lhe convém, defeito vira qualidade,
Sua fé é na astuta irreverência.

A maior máxima de Cristo:
“Amai-vos uns aos outros”,
É para a pompa do pretensioso,
Apenas uma pregação carola,
Seu embarque é na “onda que rola”.

Não faça mal ao inocente,
Que o dobro desse mal lhe vem na força da semente,
Afaste a crueldade de sua rota,
Mirando-o do alto está o olhar de Deus,
Nesse mundo nada fica sem resposta!     

Fuja da pessoa arrogante,
É mais fácil abrir a mão que fechá-la,
Todo egoísta é polido farsante,
Ajoelhe-se se quiser de Deus a graça,
Seja aquele a quem se chama de boa praça.

Para ele, pode mais quem abocanha mais,
Forma força na esperteza,
Esse é o exemplo que transmite aos descendentes,
Não há o amigo, há o conveniente,
Respeito, pelo brilho do poder simplesmente!

Observe, prezado amigo,
O mundo à sua volta,
Confira esses meus ditos,
Acautele-se dos ataques da escolta,
Guarde-se dos espíritos malditos!

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Reflita sobre o Pai Nosso!


Reflita sobre a nossa cotidiana oração, sobre
os valores nela contidos e sobre a correspondência,

a ela, de nosso comportamento.


“Pai-Nosso”: não podemos dizer Pai-Nosso, se não conseguirmos ver no outro um irmão;

“Que estais no céu”: não podemos assim dizer, se não acreditamos que, além desse mundo, existe um outro;

“Santificado seja o Vosso nome”: agredindo, desrespeitando, injustiçando, estaremos santificando o Seu nome?

“Venha a nós o Vosso reino”: o reino de Deus é de paz, paz que advém da prática da bondade, da justiça. Estamos deixando o amor crescer dentro de nós, para merecermos o Seu reino?

“Seja feita a Vossa vontade”: a vontade de Deus e não a nossa. Estamos agindo com resignação? Aceitamos o nosso destino ou estamos sempre revoltados?

“Assim na terra como no céu”: estamos praticando as boas ações para merecer o céu? Acreditamos ser a vida uma passagem, compreendida como trânsito terreno de retorno a Deus?

“O pão nosso de cada dia, nos dai hoje”: referência ao trabalho. Estamos nos dedicando, nos esforçando para não faltar o pão? Ganharás o pão com o suor de seu rosto”, nos diz a Bíblia. Estamos desfrutando do dia de hoje ou desprezando o hoje pelo amanhã. O amanhã só se sustentará pelo hoje;

“Perdoai as nossas ofensas”: fazemos ato de contrição, em arrependimento sincero de nossos erros, em repetidos exames de consciência? Queremos o perdão, mas sabemos perdoar, ou somos rancorosos e vingativos?

“Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”: estamos nos orientando, na vida, pela compreensão ou pela crítica maldosa, pelo julgamento inflexível? “Quem estiver isento de culpa, que atire a primeira pedra”, conclamou Jesus e advertiu-nos: “orai, não apenas pelos amigos, mas também pelos inimigos”. Os maus são vítimas de si mesmos, prejudicam muito mais a si que ao outro. Ninguém é mau porque quer. Quem conhece a luz jamais quer a escuridão;

“E não nos deixeis cair em tentação”: estamos nos fortalecendo na fé, na devoção? Estamos nos escorando na consciência, na humildade, destronando a soberba vaidade, a fim de ficarmos mais distantes da tentação?

“Mas, livrai-nos do mal”: estamos caminhando em direção oposta ao mal, guiando-nos pela verdade, pela justiça, pela solidariedade?

“Amém”: Não podemos dizer amém, se não concordamos ou se não tivermos o firme propósito de viver de acordo com os ensinamentos da oração. Ao dizer amém, estamos selando um pacto com os preceitos contidos no “Pai-Nosso”.




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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A ESCOLA E O MUNDO DE PAZ


É sempre com emoção que participo de momentos representativos da vida da escola. Fui convidada a presenciar uma atividade extracurricular, no final do ano letivo, uma representação teatral, de uma renomada escola. Ela contou com a presença de pais, de familiares e representantes da comunidade. Foi uma atividade que agradou pela organização, pela esmerada apresentação e pelas significativas mensagens passadas. Deixou transparecer a escola que representa. Houve um congraçamento enaltecedor das relações humanas, com saldo positivo para a escola. Um envolvimento caloroso entre professores e alunos, entre escola e comunidade, em cumprimentos efusivos.
Os alunos representaram no palco, em seis atos, não muito longos, com trajes típicos, cuidadosamente confeccionados, algumas das nacionalidades que despontam no cenário político mundial, em termos de riqueza e em termos de pobreza. Ao lado da beleza do espetáculo, a representação passou imagens significativas em valores humanos, uma auspiciosa sugestão de integração entre os povos, um ensinamento no "formar a roda", no sentido da solidariedade.
Presenciamos a escola exercendo, criativamente, de modo prazeroso, a função social de educar para a paz, para o amor. A escola abrangendo a visão pluralista da educação e da vida, preparando o aluno para entender o momento atual de guerra e de terrorismo, para entender o lado humano que deve nortear o conceito de globalização. É como dizia o educador Antonio Severino: “O professor deve ser fundamentalmente particular e fundamentalmente universal. Pensar globalmente, agir localmente”.
O mundo de amanhã pertence aos jovens. Se quisermos, para eles, um mundo de paz, temos que levá-los a refletir sobre as relações de poder. O paradigma do mercado é a polpuda conta bancária e não a dignidade pessoal. A concentração de renda gira forte entre os poderosos e não permite a entrada dos excluídos. É, pois, a mudança de valores, e não mecanismos econômicos, que vai permitir a reversão do sistema.
A escola está passando da hora de parar de reproduzir informação e começar a formar, a trabalhar caráter, afetividade, preconceito, diferenças, desníveis sociais, apontando para uma convivência pacífica.
Escola é um espaço educacional. Deve saber oportunizar os momentos da educação. Ela não molda, mas interfere na formação da personalidade. Considerei a escolha, da representação teatral, feliz, porque abre a mente e o coração para o acolhimento universal, para a compreensão das opulências e das carências que se contradizem na vida dos povos.
A pobreza, a miséria, que são os pivôs da exclusão social, geram revolta e violência. A violência vem sendo tratada, nos meios educacionais, como um item prioritário, tanto assim que a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Campinas, criou, para o corrente ano, um curso, inédito no País, de pós-graduação de prevenção à violência. O curso será ministrado por especialistas contratados especificamente para ele, terá duração de um ano e será voltado para profissionais de áreas que lidam, diretamente, com vítimas, autores ou situação de violência.
A escola, preparando-se para educar na direção das diferenças sociais, estará dando acentuada contribuição ao combate da violência. Para se ter uma idéia das discrepâncias sociais, vejamos o que nos expõe o Banco Mundial, quando fala que dois terços da população mundial vivem abaixo da linha da pobreza: “Habitam o nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4 bilhões padecem: 2,8 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem de renda mensal equivalente a mais de US$ 60. E 1 bilhão e 200 milhões vivem abaixo da linha da miséria, porque possuem renda mensal inferior ao equivalente a US$ 30”.
Os alunos, nessa atividade extracurricular, ao viver no palco sentimentos  de  patriotismo,  peculiaridades cultu-
rais, sociais e econômicas dos diferentes povos, tornam-se mais sensíveis à questão da desigualdade. O interessante é que participaram da representação também atores mirins, correspondentes à faixa etária do período escolar referente à educação infantil, fase da vida em que se deve dar ênfase à formação da personalidade.
Hoje, nós sabemos que a pré-escola é a detentora do troféu das transformações sociais. Quando dizemos que as crianças são o futuro do País, não estamos nos valendo de expressão feita, mas de um profundo sentido real. O provérbio popular, que diz: “É de menino que se torce o pepino”, é rico em sabedoria. “Nós somos o que a criança que fomos fez de nós”. Machado de Assis dizia: “O menino é o pai do homem”.
Podemos perceber o quanto o adulto está na criança, o quanto sai da criança, o quanto é filho da criança. Só a educação das primeiras letras é capaz de modificar o quadro reinante, quadro de sociedades profundamente marcadas por desigualdades de acesso aos bens essenciais.
Para se chegar à mudança social, a escola deve valer-se de projetos alternativos, que conscientizem, estimulem e restaurem os valores humanos, os compromissos morais e éticos. Parabenizo a escola pela estratégia montada a favor da formação do educando, pela idealização da mensagem de paz, pelo despertar de consciências.
* Supervisora de ensino aposentada.      
(*Publicado em janeiro/2002)

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