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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A INCLUSÃO DIGITAL

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.
A utilização nas escolas oficiais é precária, limitando-se a fazer as mesmas e velhas coisas e não trazendo as mudanças requeridas pela época. A introdução de novas tecnologias, o uso inteligente do computador, vêm se tornando um desafio às escolas, no sentido de ampliar as possibilidades do ensino.
Estudos mostram que a receptividade e a capacidade de explorar os novos recursos são bem maiores entre os alunos que entre os professores ou diretores. Muitos não querem mostrar que sabem menos que os jovens, daí as atitudes de resistência, diz o relatório de um estudo.
O uso do computador, em bom nível, provoca transformações significativas nas escolas, envolve professores e alunos em processos de estudo e pesquisa criativos, interessantes, colaborativos. Cria-se um clima de ajuda, onde o professor adquire postura mais democrática, passando a ser um orientador da aprendizagem. O aluno vai se sentindo mais realizado, mais enquadrado no mundo em que vive. Vai se sentindo mais seguro na aprendizagem, à medida que avança no conhecimento do uso do computador e o aplica às suas necessidades.
Por intermédio da internet, a escola estimula o ensino, programando projetos sociais envolvendo também a comunidade, principalmente em regiões carentes. Atinge, assim, dupla finalidade: o envolvimento interessado do aluno, que acaba aprendendo melhor e mais depressa, e a ajuda que fornece às comunidades. A escola amplia a inclusão digital, produzindo conhecimento por meio da internet.
Escolas que conseguem dar um passo avante montam um portal para divulgar trabalhos culturais de novos talentos. Formam redes digitais e criam intercâmbios de conhecimentos entre as escolas da comunidade. Os alunos apreciam deveras esse tipo de atividade e desenvolvem formas criativas de usar a rede digital, melhorando o ensino nas salas de aula.
O pensamento dominante é de que não se deve usar a internet apenas como um consumidor. A inclusão digital só faz sentido quando ela produz conhecimento. Havendo integração das iniciativas adotadas pelas escolas, o conhecimento se aprofunda. É preciso que as escolas discutam, antes, conceitos e práticas comuns. Devem compatibilizar-se de modo que os melhores resultados das experiências de cada escola sejam compartilhados com outras escolas.
O conhecimento é uma forma de transformar a sociedade e o computador acelera o processo. Os jovens vêem, na tela do computador, a chance de conseguir um futuro melhor. Incrementam a pesquisa, ampliam suas perspectivas, criam esperanças de bom emprego. O interesse pelo computador vai além da escola. O percentual da população com acesso ao computador subiu, em três anos, desde 2000, de 10% para 15%.
Os brasileiros estão começando a aderir à informática, ingressando no mundo digital. Contudo, é importante acelerar essa inclusão, tentar diminuir a distância que separa o Brasil dos outros países. Nessa questão, a atuação da escola é de muita valia, ao utilizar, com competência, a informática em suas salas de aula. Os alunos, entusiasmados, encarregam-se de entusiasmar a família, a comunidade.
O que importa é treinar bem os professores e adotar políticas condizentes, formulação de metas de inclusão digital. A melhor forma é investir nas escolas e nos jovens, sobretudo em áreas carentes e sem perspectiva social. O retorno virá mais depressa do que se imagina, diz o estudo do Mapa da Exclusão Digital, divulgado em abril de 2003 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Comitê para a Democratização da Informática (CDI).
Do ponto de vista escolar, a análise do mapa mostra que os jovens que contam com computador em casa têm desempenho superior. Na prova de matemática chega a 17%. Cidades com altos índices de escolaridade são grandes adeptas da informática, como São Caetano do Sul, com 41%, Niterói, 34% e Santos 33%. No bairro da Lagoa, zona sul do Rio, a inclusão chega a 59,2%. Já nas favelas do Complexo do Alemão, zona norte, a 3,8%. Em relação aos alunos matriculados no ensino fundamental regular, 23,9% estão em escolas com acesso à informática. Os Estados com maior grau de inclusão digital, nesse nível de ensino, foram: São Paulo (49,7%), Paraná (37,2%) e Rio (34,4%).
O analfabetismo digital contribui para o fraco desenvolvimento científico do País. As escolas avançadas no ensino da informática colocam seus alunos na vanguarda do conhecimento, sem necessidade de correr atrás. As informações chegam até eles e em última mão. Esta facilidade é oferecida pelos softwares leitores ou agregadores de RSS. Estes programas buscam notícias automaticamente de sites relacionados pelo usuário. A escola cria projetos em que os alunos mantêm blogs com textos das disciplinas e o professor consegue acompanhar a sua produção.
Tudo em educação deve nortear-se por atividades prazerosas. Não primar pela competição, mas proporcionar a auto-afirmação. O professor não pode se limitar a conteúdos predeterminados, atender, antes, os anseios e as necessidades do aluno. Não deve adestrar, mas preocupar-se com o aluno enquanto pessoa, caminhando em direção a novos paradigmas. O grande objetivo do ensino-aprendizagem é descortinar possibilidades e não apenas aferir o rendimento cognitivo do aluno.
* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

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terça-feira, 27 de julho de 2010

A escola Inclusiva

A política oficial, já há algum tempo, desde 1996, prevê a inclusão dos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Contudo, em agosto de 2001, o ministro Paulo Renato Souza, regulamentando a Lei de Diretrizes para a Educação Especial, assinou resolução, pela qual as escolas públicas do País deverão atender estudantes com necessidades especiais.
Infelizmente, essa é mais uma mudança, na estrutura de ensino, imposta a uma rede pública desaparelhada, despreparada para recebê-la. É um “Deus nos acuda”, uma perspectiva nada animadora, conforme já se constata em avaliações. A falta de informações ou o despreparo para lidar com a educação inclusiva faz com que os próprios professores, inconscientemente, discriminem os alunos. Isolam-nos, não os motivam, acabando por marginalizá-los, no processo de ensino. Professores que deixam os alunos com deficiência visual acentuada, ou cegos, sentados ou bem na frente da classe ou bem no fundo, na intenção de protegê-los, e acabam por excluí-los do convívio social da classe. Professores que, inadvertidamente, citam, conforme relato de pesquisas, o aluno deficiente como exemplo e que acaba por diminuí-lo perante os colegas, dizendo: “Se até ele consegue, vocês podem conseguir também”.
Para que essa educação venha obter sucesso, é preciso dar estrutura de aprendizagem. É preciso que seja uma inclusão responsável para não comprometer o avanço dos alunos portadores de deficiência. É importante treinar os professores, produzir material de apoio, principalmente para portadores de deficiências visuais e auditivas, assim como adaptações de títulos didáticos para o sistema braile. As escolas devem possuir as chamadas  salas de recursos, equipadas, para facilitar a aprendizagem. Possuir professor de braile, acontecendo, por vezes, ter a sala, mas não o professor.
O que se nota, na maioria das escolas da rede pública, é ausência de infra-estrutura. Ausência de instalações especializadas, de rampas, carteiras anatômicas e, principalmente, faltam professores capacitados para lidar com o aluno deficiente.
Uma outra barreira a se vencer, em relação aos alunos portadores de deficiência, é o preconceito. Preconceito da sociedade, da escola, dos pais e até mesmo dos professores. Quando o processo de ensino da educação inclusiva é bem conduzido, administrado por professores competentes, habilitados para a área, ele consegue resultados animadores. Consegue formar indivíduos ajustados, produtivos, capacitados para exercerem tarefas que vão desde as mais simples às mais complexas. A sua inserção, em salas regulares, ajuda-os a vencer, a se integrar melhor na sociedade.
O que mais se necessita, para o sucesso da educação inclusiva, é o apoio a ser dado ao professor, à sua capacitação. Permanecendo, apenas, em instituições especializadas, os alunos deficientes acabam perdendo o convívio social, sem saber como lidar com as pessoas em sociedade. Instituições que só atendem alunos deficientes, adotam, costumeiramente, métodos “mecanicistas”, que tendem a nivelar as crianças. Na inclusão, adota-se uma linha alternativa e mais democrática de ensino. Falta, sobretudo, à rede pública aprender a desenvolver projetos que abram oportunidades educacionais adequadas a essas crianças.
A Educação Inclusiva surgiu na Europa na década de 1950 e, hoje, já é uma realidade. Segundo dados estatísticos, a rede estadual paulista atendeu, no ano de 2001, 19.215 alunos com necessidades especiais em salas regulares, de um total de 6,1 milhões de estudantes. Das 5.580 escolas, apenas 695 praticam a inclusão. Mais de 15.000 alunos são assistidos por instituições especializadas, por causa do alto grau de deficiência.
Neste particular, ressalta-se a atuação das “Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais” (Apaes),com seu atendimento primoroso. Fui supervisora de ensino de algumas Apaes e todas elas primavam pela competência, pelo devotamento aos alunos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, apenas, 2,2% dos brasileiros com deficiências físicas e mentais recebem atendimento educacional. Dentre os 17 milhões, só 374 mil são atendidos pela rede pública ou por instituições privadas, em parceria com o governo federal.
Algumas escolas particulares de ensino regular têm projetos bem sucedidos de inclusão de estudantes especiais. Promovem orientação pedagógica específica, resultando em trabalho diferenciado. São escolas que, em atenção às diferenças e às necessidades dos  alunos, mantêm em classe, no máximo, 15 alunos, permitindo ao professor atendimento individual, acompanhar de perto as dificuldades de cada um, colocando somente um ou dois alunos especiais por classe. Escolas há que adotam, como método estimulador da afetividade dos alunos, a presença de animais na escola: pôneis, cabritos, ovelhas, coelhos, tartarugas, patos e outros. Os animais favorecem a integração entre os alunos.
Há escolas que oferecem atividades de inclusão social. Dão cursos de Preparação e Qualificação Profissional, em que os alunos são encaminhados para o mercado de trabalho. Ensinam o ofício de padeiro, confeiteiro, de atendimento ao público, de auxiliar de escritório, de ajudante de cozinha, entre outros. Para a inserção da mão-de-obra dos portadores de deficiência, no mercado de trabalho, há muito preconceito e desinformação. O preconceito é, ainda, a maior barreira, na colocação de pessoas especiais, no trabalho.
Empresas que empregam portadores de deficiência dizem dar a eles tratamento igual e as responsabilidades são cobradas como de qualquer outro empregado, sem paternalismo e que a correspondência é muito boa. Eles são aproveitados em livrarias, supermercados, lanchonetes, videolocadoras, doceiras, escritórios, especialmente, de advocacia.
A escola de ensino regular, ao receber o aluno portador de deficiência, ao trabalhar o preconceito, ela está difundindo o sentido de igualdade de oportunidades a esse aluno; está desenvolvendo, entre os alunos, a formação humanística e, sob esse prisma, a integração virá bem mais forte e mais consistente.
* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2002)


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