sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A REPETÊNCIA ESCOLAR


O cenário da educação brasileira é sombrio, não só pela baixa qualidade do ensino, como pelo grande número de evasão e repetência dos alunos. Pobreza e métodos ineficazes de aprendizagem resultam em aluno fora da escola, levando com ele a escuridão e a eterna dependência. Sobre a América Latina, dados da Unesco de 1997 mostraram, entre nós, um elevado grau de repetência na 1.ª série do 1.º grau (54%), superando Colômbia (43,8%), Bolívia (38,4%), Peru (29%), Equador (28,2%) e Paraguai (27,6%). Também, o Brasil revelou um grande percentual de alunos que demoravam para concluir as quatro primeiras séries: 8,2 anos, em média, contra 6,5 anos no Peru, 6,3 anos no Paraguai, 6,2 anos na Colômbia e Equador e 4,8 anos na Bolívia.
O grau de repetência revela o grau de cultura dos diversos povos e o descaso que foi dado à educação nesses países, porque repetência também é resultado da conjuntura socioeconômica-cultural do país. No Brasil, além das causas inerentes a essa conjuntura, permanecia a arraigada cultura da repetência. No passado, ainda não muito distante, o melhor professor era aquele que mais reprovava, quando, hoje, sabemos que o que lhe faltava era um bom método didático-pedagógico, um trabalho mais apurado no seu senso de relacionamento interpessoal. A repetência não deixa de ser ponto negativo tanto para o aluno quanto para o professor. Ela revela deficiência estrutural, ocorre, principalmente, quando o aluno foi pouco estimulado, quando a escola não conseguiu ensiná-lo a aprender, a transformá-lo em estudante. A repetência é indicada em casos de imaturidade, quando a criança precisa de um tempo maior para compreender conceitos básicos. O ritmo em que o aluno aprende é importante na aquisição do conhecimento.
O princípio fundamental da educação é dar uma boa formação ao aluno, tanto no aspecto cognitivo, como no aspecto comportamental. A escola sempre discutiu a necessidade de se proporcionar ao aluno uma boa base, para que ele pudesse prosseguir estruturado em seus estudos. Esse critério de base continua, o que muda é o conceito da base, a maneira de adquiri-la. A base não se sustenta, como anteriormente se acreditava, pelo amontoado de conhecimento, adquirido pela teorização, pela memorização. Sustenta-se pelas vias de aquisição do conhecimento, ou seja, pelo desenvolvimento das competências cognitivas de caráter geral, levando o aluno a pensar, a criar, a criticar, a agir, a se tornar uma cabeça pensante. O que precisa mudar é a característica da aprendizagem; que ela seja prática, que dê ao aluno a oportunidade de elaborar, criando um verdadeiro processo de construção do conhecimento. O conhecimento teórico é apenas complementar, afinal, adquirimos conhecimento para intervir na realidade. No construtivismo, o professor leva o aluno a vivenciar as situações, a redescobrir o mundo pelo próprio esforço e iniciativa, a  redescobrir seus princípios, suas leis de funcionamento.
Entrosando-se no método construtivista, o aluno vai desenvolver habilidades, vai assimilar conceitos, e estes, no momento preciso, vão suprir, com vantagem, o conhecimento deixado para trás.
Junto à metodologia, propõe-se que a escola passe a cultivar a filosofia do sucesso, que abrace a idéia de que ela é lugar de inclusão e não de exclusão. Quer-se uma escola com o objetivo centrado na aprendizagem, não no ensino. Uma escola que encontre o caminho da aprendizagem, que trabalhe e considere as diferenças individuais, que estabeleça e respeite, na avaliação, os padrões de máximo e de mínimo, conforme o potencial de cada um. Abordagem esta, facilitada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que dá liberdade às escolas inovarem, para fazer o aluno aprender.
Várias metas foram traçadas pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo com a finalidade de evitar a repetência, quais sejam: o programa de aceleração da aprendizagem, destinado a alunos com defasagem idade/série, no qual o aluno cumpre o currículo de dois anos em um; o programa especial de férias, com aulas de recuperação que valem como oportunidade para o aluno passar de ano; o sistema de matrícula por dependência e a formação do ensino fundamental em ciclos, em que não há reprovação anual. O aluno só pode ser reprovado no fim de cada ciclo. A escola deve, ainda, oferecer ao aluno, durante o ano, um programa de recuperação continuada.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em 1998, introduziu a progressão continuada no ensino fundamental, o sistema de ciclos, que praticamente extingue a repetência. Contudo, se a repetência diminuiu, o ensino piorou e muito.
“Os Parâmetros Curriculares Nacionais” (PCN), abordando conteúdos variados e atualizados, propondo, ao lado do currículo formal, o currículo oculto – em que se considera a realidade vivida pelo aluno – adotando práticas estimuladoras da aprendizagem, contribuem, quando bem aplicados, a reduzir as taxas de evasão e repetência. Estas medidas, contudo, embora salutares, são paliativas, visto que o fulcro da questão reside na deficiente formação docente e nas precárias condições em que o ensino se processa.
Se a escola vai contribuir com a democratização do ensino, lutar para manter em seu recinto alunos das mais diferentes camadas sociais, deve tornar-se mais significativa, programar aulas mais interessantes, conteúdos próximos do aluno.  Deve aprimorar seu sistema de avaliação, adotar uma concepção de educação e a partir dessa concepção formular seu projeto pedagógico e seu critério de avaliação. Se a avaliação tiver uma concepção democrática, ela jamais estabelecerá um padrão único, estabelecerá, ao lado dos objetivos desejáveis, os objetivos essenciais. Deve conceber uma avaliação que não se feche, uma avaliação aberta, ampla, onde criatividade, inventividade, intuição tenham sua apreciação considerada.
O professor tem uma função complexa, singular, interdisciplinar, contextualizada. Complexa, porque precisa, entre outras, ter sensibilidade para perceber e acolher as diferenças individuais. Trabalhar segundo o nível e o ritmo de cada aluno, respeitar sua potencialidade; desenvolver habilidades e atitudes à medida que os alunos se apropriam do conhecimento. Precisa estabelecer coerência entre a metodologia de ensino e o conteúdo programático. Singular, porque não há duas classes iguais, dois alunos iguais ou dois professores iguais, cada um com sua história única. Interdisciplinar, porque o conteúdo de sua disciplina tem que estar interligado ao conteúdo das demais disciplinas do currículo, colaborando com a formação geral do educando. Contextualizada, porque seu conteúdo deve estar relacionado aos contextos sociais, culturais. O professor deve atuar em consonância à sociedade, à comunidade, à família, à experiência de vida dos alunos.
Se na escola tradicional, o professor era caracterizado por palavras como: “escultor”, “piloto”, “espelho”, “jardineiro”, hoje é por “investigador”, “reflexivo”, “experimentador”, “construtor”.
Pense nisso, professor!
* Supervisora de ensino aposentada.       
(Publicado em maio de 2001)
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A INCLUSÃO DIGITAL

As novas tecnologias são ferramentas importantes para a escola atingir a modernidade. Contudo, o que se constata é uma forte resistência em utilizá-las, aproveitá-las, dando mais sentido à aprendizagem.
A utilização nas escolas oficiais é precária, limitando-se a fazer as mesmas e velhas coisas e não trazendo as mudanças requeridas pela época. A introdução de novas tecnologias, o uso inteligente do computador, vêm se tornando um desafio às escolas, no sentido de ampliar as possibilidades do ensino.
Estudos mostram que a receptividade e a capacidade de explorar os novos recursos são bem maiores entre os alunos que entre os professores ou diretores. Muitos não querem mostrar que sabem menos que os jovens, daí as atitudes de resistência, diz o relatório de um estudo.
O uso do computador, em bom nível, provoca transformações significativas nas escolas, envolve professores e alunos em processos de estudo e pesquisa criativos, interessantes, colaborativos. Cria-se um clima de ajuda, onde o professor adquire postura mais democrática, passando a ser um orientador da aprendizagem. O aluno vai se sentindo mais realizado, mais enquadrado no mundo em que vive. Vai se sentindo mais seguro na aprendizagem, à medida que avança no conhecimento do uso do computador e o aplica às suas necessidades.
Por intermédio da internet, a escola estimula o ensino, programando projetos sociais envolvendo também a comunidade, principalmente em regiões carentes. Atinge, assim, dupla finalidade: o envolvimento interessado do aluno, que acaba aprendendo melhor e mais depressa, e a ajuda que fornece às comunidades. A escola amplia a inclusão digital, produzindo conhecimento por meio da internet.
Escolas que conseguem dar um passo avante montam um portal para divulgar trabalhos culturais de novos talentos. Formam redes digitais e criam intercâmbios de conhecimentos entre as escolas da comunidade. Os alunos apreciam deveras esse tipo de atividade e desenvolvem formas criativas de usar a rede digital, melhorando o ensino nas salas de aula.
O pensamento dominante é de que não se deve usar a internet apenas como um consumidor. A inclusão digital só faz sentido quando ela produz conhecimento. Havendo integração das iniciativas adotadas pelas escolas, o conhecimento se aprofunda. É preciso que as escolas discutam, antes, conceitos e práticas comuns. Devem compatibilizar-se de modo que os melhores resultados das experiências de cada escola sejam compartilhados com outras escolas.
O conhecimento é uma forma de transformar a sociedade e o computador acelera o processo. Os jovens vêem, na tela do computador, a chance de conseguir um futuro melhor. Incrementam a pesquisa, ampliam suas perspectivas, criam esperanças de bom emprego. O interesse pelo computador vai além da escola. O percentual da população com acesso ao computador subiu, em três anos, desde 2000, de 10% para 15%.
Os brasileiros estão começando a aderir à informática, ingressando no mundo digital. Contudo, é importante acelerar essa inclusão, tentar diminuir a distância que separa o Brasil dos outros países. Nessa questão, a atuação da escola é de muita valia, ao utilizar, com competência, a informática em suas salas de aula. Os alunos, entusiasmados, encarregam-se de entusiasmar a família, a comunidade.
O que importa é treinar bem os professores e adotar políticas condizentes, formulação de metas de inclusão digital. A melhor forma é investir nas escolas e nos jovens, sobretudo em áreas carentes e sem perspectiva social. O retorno virá mais depressa do que se imagina, diz o estudo do Mapa da Exclusão Digital, divulgado em abril de 2003 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Comitê para a Democratização da Informática (CDI).
Do ponto de vista escolar, a análise do mapa mostra que os jovens que contam com computador em casa têm desempenho superior. Na prova de matemática chega a 17%. Cidades com altos índices de escolaridade são grandes adeptas da informática, como São Caetano do Sul, com 41%, Niterói, 34% e Santos 33%. No bairro da Lagoa, zona sul do Rio, a inclusão chega a 59,2%. Já nas favelas do Complexo do Alemão, zona norte, a 3,8%. Em relação aos alunos matriculados no ensino fundamental regular, 23,9% estão em escolas com acesso à informática. Os Estados com maior grau de inclusão digital, nesse nível de ensino, foram: São Paulo (49,7%), Paraná (37,2%) e Rio (34,4%).
O analfabetismo digital contribui para o fraco desenvolvimento científico do País. As escolas avançadas no ensino da informática colocam seus alunos na vanguarda do conhecimento, sem necessidade de correr atrás. As informações chegam até eles e em última mão. Esta facilidade é oferecida pelos softwares leitores ou agregadores de RSS. Estes programas buscam notícias automaticamente de sites relacionados pelo usuário. A escola cria projetos em que os alunos mantêm blogs com textos das disciplinas e o professor consegue acompanhar a sua produção.
Tudo em educação deve nortear-se por atividades prazerosas. Não primar pela competição, mas proporcionar a auto-afirmação. O professor não pode se limitar a conteúdos predeterminados, atender, antes, os anseios e as necessidades do aluno. Não deve adestrar, mas preocupar-se com o aluno enquanto pessoa, caminhando em direção a novos paradigmas. O grande objetivo do ensino-aprendizagem é descortinar possibilidades e não apenas aferir o rendimento cognitivo do aluno.
* Supervisora de ensino aposentada.      
(Publicado em junho/2004)

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Amigo



Amigo é coisa difícil de achar,
Amizade, pelo tempo testada,
É raridade, fato a se exaltar,
É atitude a ser cultivada.
Amigo é suporte, é aliança,
É ombro, segredo e confiança.


Verdadeira amizade varre o tempo,
Enfrenta com firmeza as tempestades,
Não se ausenta nos contratempos,
Caminha junto pela eternidade,
Não some numa chuva de verão,
Ao outro se une, como os dedos das mãos.

Na adversidade não se está sozinho,
Tem-se sempre alguém com quem contar,
Alguém que nos compreende com carinho,
Que no nosso mundo entra pra ficar.
Quem na vida um amigo tem,
Deve ajoelhar-se, dizer amém!


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Livro Prática Pedagógica




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Ideal para professores e estudantes de pedagogia, contém material 
que auxilia no estudo e na prática educacional. 

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Reconhecimento do Site Izabel Sadalla Grispino!

O site www.izabelsadallagrispino.com.br foi reconhecido pelos sites Buscaki e Vej@ Blog, estando entre os melhores e mais apreciados do Brasil!
Agradecemos aos amigos e colaboradores que tornam possível a divulgação de nosso trabalho, sempre com o intuito de propagar as obras pelo Brasil todo.
Conheça o nosso trabalho! Acesse também o site www.izabelsadallagrispino.com.br e conheça a história e todo o trabalho de Izabel Sadalla Grispino.

Amai-vos uns aos outros


Cristo veio ao mundo para nos salvar,
Alertou a humanidade
Do perigo da ferocidade,
A alma branda, menos invejosa,
Encontra o seu reino pela via amorosa.

Justiça, lealdade, amor,
Ficam circunscritos à conveniência,
O interesse é sua base na sociedade,
A quem lhe convém, defeito vira qualidade,
Sua fé é na astuta irreverência.

A maior máxima de Cristo:
“Amai-vos uns aos outros”,
É para a pompa do pretensioso,
Apenas uma pregação carola,
Seu embarque é na “onda que rola”.

Não faça mal ao inocente,
Que o dobro desse mal lhe vem na força da semente,
Afaste a crueldade de sua rota,
Mirando-o do alto está o olhar de Deus,
Nesse mundo nada fica sem resposta!     

Fuja da pessoa arrogante,
É mais fácil abrir a mão que fechá-la,
Todo egoísta é polido farsante,
Ajoelhe-se se quiser de Deus a graça,
Seja aquele a quem se chama de boa praça.

Para ele, pode mais quem abocanha mais,
Forma força na esperteza,
Esse é o exemplo que transmite aos descendentes,
Não há o amigo, há o conveniente,
Respeito, pelo brilho do poder simplesmente!

Observe, prezado amigo,
O mundo à sua volta,
Confira esses meus ditos,
Acautele-se dos ataques da escolta,
Guarde-se dos espíritos malditos!

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Leia mais poesias como essa em www.izabelsadallagrispino.com.br


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Joguinhos educativos!



Encontre joguinhos educativos para educação especial
Uma colaboração da pedagoga
Salete R. Maia